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domingo, 24 de setembro de 2017

Corrida do Tejo 2017


Corrida do Tejo -  A desafiar-te desde 1981 - 37ª edição, 24 de Setembro de 2017

Marginal, Praia de Santo Amaro de Oeiras

Senta-te aqui neste muro. Vem falar comigo. Então tu foste fazer de novo a Corrida do Tejo? Tu que só a conheceste no final dos anos 90, e te achas por isso conhecedor da estória? Com direito a dizer mal e desdenhar?

O dia estava quente nessa manhã. Apesar do Outono já ter começado, a manhã era de Verão nesse dia. A rapariga sorriu. E se muitas vezes sente que mais vale calar-se por sentir ser inútil a sua opinião e os interlocutores serem "surdos", outras tantas ainda a Vida lhe mostra que vale a pena continuar a acreditar nas pessoas, a fazer-se ouvir, a partilhar, a lutar, a acreditar!

Sim, de facto conheci a Corrida do Tejo nos finais dos anos 90. Era uma Corrida completamente diferente. De cariz genuinamente popular, ainda bem enraizada nas origens da Corrida em Portugal, a Corrida para todos, surgida em Portugal logo a seguir ao 25 de Abril. Altura em que descobri a Corrida, por sinal (com 7 anos de idade apenas). De inscrição gratuita, percorria a Marginal de Algés a Oeiras (como hoje) embora tenha sofrido algumas ligeiras alterações no percurso. Até tenho ideia da distância ser 12 Km na altura. Recordo-me de partir bem junto à linha de água e de terminar no largo da Câmara Municipal de Oeiras, entidade que promovia e organizava a Corrida e que desde cedo se associou e trabalhou com sucesso e todo o mérito, como ainda hoje, em prol do desenvolvimento da Corrida, precisamente da Corrida para todos, e exemplo disso é o existente Troféu Corrida das Localidades. 

Nas minhas primeiras participações na Corrida do Tejo, recordo-me de um funil para a meta que nos obrigava a parar 500 metros antes da linha de chegada. Sim, porque isto do antigamente é que era bom, não é bem assim meus caros.

A Corrida foi crescendo. Desenvolvendo-se. Havia potencial. Muita procura, um percurso muito agradável, sempre junto ao Rio e Mar, uma distância acessível e ...entram os patrocínios. Muitos. Sobe o preço. Muito (afinal tudo acima de zero, seria uma afronta aos olhos de muitos que se habituaram a correr ali de graça ou quase). Ainda assim, cresce significativamente o número de participantes, que parece ser agora o principal objectivo da Organização. Vêm as t-shirts técnicas, a publicidade, o mediatismo, o pior slogan de sempre numa qualquer edição "Correr contra o Tejo", a moda! E a Marginal não estica nem alarga. A partida é caótica, não se consegue correr! Demasiada gente para o espaço. Faço a Corrida nestas condições. Não me recordo o ano. 2000 e qualquer coisa. E detestei! Detestei! E se detestei, se todo o encanto se perdeu, se os contras pesam mais que os prós, a Corrida do Tejo ficou totalmente fora da minha agenda, sem qualquer vontade de voltar. 

E a Câmara foi-se associando a novos patrocínios, novas entidades de apoio na organização, houve alterações, sucessivas alterações e novas alterações, mas eu, e muitos outros, já não estavam "lá". A Corrida do Tejo tinha-se perdido para mim e para muitos outros. Com um ideia e opinião formada nas últimas experiências, restava o negativismo, o mal dizer, e sentados no sofá somos todos muitos corajosos e numa conhecida plataforma rede-social (facebook) era ver um desfilar de comentários negativos, muito negativos, muitos a raiar a má criação e a falta de respeito, até sem argumentos alguns, o que leva a pensar que apenas o prazer de dizer mal leva as pessoas a comentar e participar num espaço de discussão que poderá também ser de muita utilidade, pela facilidade de utilização e alcance do mesmo. E até eu, longe de imaginar até onde as minhas palavras chegariam, dei a minha opinião. Negativa pois claro. 

Surpreende-me sobremaneira, que poucos dias depois, receba uma mensagem privada, de alguém que simplesmente queria perceber o porquê de tantos comentários negativos, incluindo o meu, alguém que trabalha em prol da Corrida há mais de uma década, precisamente na organização da Corrida do Tejo, que estava empenhado em reabilitar a Corrida do Tejo, em perceber o que as pessoas queriam de facto da Corrida do Tejo. Era um colaborador da Câmara de Oeiras na Divisão do Desporto, e era "só" o responsável do projecto Corrida do Tejo, o Filipe Leão. 

Caramba! Se o responsável da Corrida do Tejo escreve a um sujeito que vai para o facebook "dizer mal" da sua Corrida, se procura perceber o que está mal, ouvindo as pessoas, comunicando, interagindo, procurando dessa forma, ouvir realmente e melhorar, em prol da Corrida, só pode merecer a minha maior admiração, consideração e respeito, e toda a minha confiança. Resposta dada com a minha opinião e sem grande espanto, confesso, sou convidada a participar! Porque a Corrida está diferente, diz, porque há significativas alterações e porque, claro, se quer inverter essa onda de negativismo sobre a Corrida do Tejo. Sou convidada a participar, dorsal oferecido e ...porque não?

Ah! Então podes dizer que foste comprada? Comprada?! Mas o rapaz não me conhece de lado nenhum! Pode muito bem ser um tiro no pé! Posso levantar o kit, posso nem sequer correr, posso continuar desencantada, posso continuar a dizer mal, pode haver razões para dizer mal, e até posso ser uma grande cabra! 

Bem...vamos lá então à Corrida do Tejo 2017. Afinal o que tens a dizer?

A inscrição estava feita. Pagaria EUR 10,00 se fosse pagante e se feita na fase inicial. Muito sinceramente não me parece excessivo para o que é oferecido!

Levantamento de dorsais apenas nas vésperas da prova. Para 9500 inscritos, perfeitamente compreensível. Nas piscinas do Jamor, um espaço agradável e o levantamento do kit é rápido e fácil. Um t-shirt, do tamanho que pedimos, modelo diferenciado por género e de excelente qualidade. New Balance. Muito bom! Só por aqui, vale os EUR 10,00! Dorsal personalizado com o nosso nome, com chip incorporado (+ alfinetes) e devidamente identificado com a nossa caixa de partida! Ora aqui está o que em meu entender muda tudo:

A Partida foi dada em 3 Vagas, com 5 minutos de intervalo, por tempos (devidamente comprovados pelos atletas na altura da inscrição) e posso dizer desde já que aqui a menina correu da linha de partida à linha de chegada, sem parar, sem estorvar ninguém e sem ninguém a estorvá-la! Por isso o problema de que era muita gente, muita confusão, que não se consegue correr, que se anda a tropeçar nas pessoas, etc e tal (e era o pior que a Corrida tinha) está ultrapassado meus amigos! Plena e perfeitamente ultrapassado!

Bem...vamos lá atrás no tempo:

Antes do dia propriamente dito, a Corrida organizou treinos em algumas cidades do país, teve na véspera uma versão Kids, ou seja uma Mini Corrida do Tejo para as crianças e a promoção foi imensa.

Voltando ao dia: carro estacionado em Santo Amaro de Oeiras. O dorsal permitia-nos viajar gratuitamente de comboio para Algés, o local da partida. Muito bom. A organização leva-nos os pertences da Partida à Chegada, para quem quisesse deixar roupa e tê-la depois na chegada.

As partidas são por vagas, como já referido, tudo devidamente identificado e controlado.A animação é contagiante. Há marcadores de ritmo ( "-60" e "-55" são os marcadores da minha caixa, a marcar o passo para os participantes) 

Ao longo da prova há uma Marginal totalmente livre de carros (acham que isso não se paga, amigos?), um percurso muito bonito, controlado, com marcação de Kms, animação ao longo da prova, com bandas musicais e frases motivadoras. 

Chuveiros aos longo da prova, o que se revelou particularmente agradável no dia quente da prova, para nos refrescarmos.

Dois abastecimentos de água ao longo do percurso, mais água e uma maçã no final. Classificação a sair rapidamente e diploma disponibilizado no site da prova.

Meta com muita animação, condições para cortar a meta a correr, com toda a popa e circunstância. 

Massagens disponibilizadas no local, onde se alonga e descontrai. Quem quisesse poderia  tomar duche nas Piscinas.

Uma medalha é também entregue a todos à chegada. Muito bonita por sinal (o motivo). De acrílico. Espera! Pára tudo! Disseste acrílico?! Plástico, queres tu dizer! Uma ficha em plástico para os carrinhos de choque, como já se ouve por aí! Acrílico! Ora, ora, ora...Acrílico é um material termoplástico rígido, considerado um dos polímeros mais modernos e com maior qualidade do mercado! Bolas...é um plástico e em plástico não, por favor! A Corrida do Tejo, esta Corrida do Tejo merece mais! É como teres o melhor vinho e servirem-to num copo...olha, precisamente de plástico. Percebes? A essência está lá, o conteúdo tem a melhor qualidade mas depois...cai um bocadinho...e não há necessidade. A tradicional medalha de metal, tem literal e simbolicamente outro peso! Dá outra classe à coisa! 

Ah, e como bom portuguesinho que és, agarras-te a isso, dás-lhe o maior relevo possível e valorizas o que de menos bom a Corrida teve (o que até poderá ser discutível pois é meramente uma questão de opinião)  e fazes disso uma bandeira para continuares a dizer mal, esquecendo tudo o resto?!

NÃO!  A Corrida do Tejo hoje, está num patamar de excelência, garanto-vos! Estive lá, vi, corri, vivi e senti! Na pele! Por tudo o que referi acima, está a Câmara Municipal de Oeiras, entidade organizadora, em parceria com a New Balance, de Parabéns! 

Sim, é muita gente, mas e depois? Se tudo funciona muito bem, qual o mal? 

O essencial e até o menos essencial não falhou! Se recomendo? Sim, clara e inequivocamente que sim! Se volto para o ano? Quem sabe, quem sabe...

E a próxima podes já marcar na tua agenda: 23 de Setembro de 2018

Ana Pereira













A minha Corrida 

Corri os 10 Km em 53m14s, tendo sido o 2363º classificado, de um total de 7628 chegados à Meta

Voltei a ser feliz na Corrida do Tejo! Isto diz alguma coisa? 


Fotos da Corrida do Tejo 2017

Por Armindo Santos, RUN 4 FFWPU Album 1, a ver aqui

E Album 2, para ver aqui


Por Luís Duarte Clara, Album A para ver aqui

E Album B, para ver aqui


Pela Organização, Vários Albuns, a ver aqui


Informações várias, no facebook da Prova, aqui


E no site oficial da Organização, aqui




sábado, 9 de setembro de 2017

41ª Meia Maratona de S.João das Lampas

9 de Setembro de 2017 - Meia Maratona de S.João das Lampas








 

A minha história na 41ª edição da prova:


À medida que o tempo passa, fica-me mais fácil escrever. Como se o tempo quase apagasse as memórias dolorosas e restassem agora apenas as coisas boas! Tem destas coisas o Tempo. Ah, mas as coisas boas são tantas! Tantas! Estar ali, alinhar na Partida e percorrer todo o caminho da Meia Maratona de São João das Lampas, vivê-lo com suor no rosto e dor nas pernas, caminho sofrido, muito sofrido desta vez, mas chegar à meta, arrancar o maior sorriso de dentro do peito sem qualquer esforço, vale...vale...vale tudo!

Foi no dia 9 de Setembro de 2017. E é assim que chego à 41ª edição da Meia Maratona de S.João das Lampas. Fresca e fofa. Demasiado fofa, aliás. E amedrontada, sim. Já sei que me vai custar. Porque me conheço e sei como estou, o que fiz e o que não fiz. Ainda assim, nada que me impedisse de participar, como aconteceu no ano passado, em que seriamente lesionada, a participação não me foi sequer permitida. Por isso, este ano, muito longe da forma de há 2 anos, em que com 1h37m cheguei à meta, este ano simplesmente alinho na Partida com a ambição de chegar à meta, no melhor estado possível.

São João das Lampas está-me no coração. Por tanto e por nada. Pela forma como sempre sou recebida, que é afinal a natural forma de receber daquela gente.

Talvez especialmente por isso, não faltei este ano. Sabia de antemão que ia doer. E doeu! Até ao tutano. Mais...pior só se tivesse ficado em casa. E eu não fiquei! Hoje, é este o espírito.

As inscrições tinham um custo inicial de EUR 10,00, podendo atingir no máximo EUR 14,00 para os que deixassem para os últimos dias. De forma fácil e rápida. No dia da prova, levantamento de dorsais de forma simples e eficaz, que poderiam também ter sido levantados na véspera. Uma t-shirt, modelo diferenciado por género, muito bonita, fresca e de excelente qualidade! Chip incorporado no dorsal, personalizado este, também de cor distinta entre os 2 géneros.

E com o treino possível, eu lá estava no dia para participar nesta que é a 2ª Meia Maratona mais antiga de Portugal, a realizar-se pela 41ª vez! Caramba, na 1ª edição, eu já corria sim, na estrada, nos pinhais e na pista, e ganhava medalhas, mas tinha apenas 7 anitos! Impõe respeito uma prova destas. Que perdura, cresceu, ganhou a qualidade das entidades "profissionais" (de algumas!) sem no entanto perder a  essência da Corrida, o "amor à camisola", a forma genuína de ser e estar na Corrida. E isso muito se deve ao Fernando Andrade, Homem que está no leme deste barco desde a 1ª hora, há 40 anos, e tem conseguido, junto da equipa de que se faz rodear, fazer de S.João das Lampas um lugar onde se respira Corrida, quer na Meia Maratona, quer no Trilho das Lampas, quer nos treinos associados a estes eventos que promove ao longo do ano!

Hoje, nesta tarde de 9 de Setembro, lá anda ele, entre os participantes, no secretariado, a cuidar disto e daquilo, nos momentos antes da prova, a demonstrar uma serenidade e humildade, de braço dado com uma força que cremos inabalável.

Minutos antes, sussurra-me ao ouvido "Ana, hoje vou correr". Admirei-me, retorquindo com um "A sério?! Boa!" Mas não compreendi logo. 

Depois de algum tempo a aquecer, rever amigos e conhecidos, e envolver-me no bom ambiente festivo, a partida é dada. Ali, mesmo em frente à Junta de Freguesia. Muita alegria é  o que se vive por ali. Vou na multidão embalada e deixo-me contagiar, pelos atletas à procura do seu ritmo e pelo público que nos incentiva. E sinto cá dentro o verdadeiro privilégio de poder estar ali! Viva, com saúde para me propor ao desafio que vou vencendo passo a passo.

Pouco depois passa por mim o Fernando Andrade, vindo de trás. Vai bem melhor que eu, o que não é difícil hoje. "Força" digo-lhe para de seguida pousar os olhos nas costas da t-shirt que ele enverga e remeter-me ao mais profundo silêncio. Qualquer coisa como "Sempre presente Tomé", uma homenagem ao amigo que partiu inesperadamente em Maio passado, e que era também ele um pilar como membro desta Organização. Em silêncio, comovo-me e penso que devo sorrir, viver, usufruir com toda a alegria desta Corrida que posso correr! Era assim que o Tomé gostaria. E este ano o Fernando Andrade leva-o com ele a correr a prova toda! Comovo-me e sigo, triste e feliz ao mesmo tempo.

Pouco depois, todos já tomaram o seu ritmo e eu estou bem na cauda do pelotão. Começo mesmo a ponderar em desistir ao km 13, quando a prova passa pelo local da partida e meta.

Mas as Lampas é sempre tão...emocionante. Toca-me esta prova. Os vales, as descidas e as subidas, os chafarizes, os duches que a organização põe pelo caminho para a malta se refrescar ou mesmo a mangueira dos residentes que nos oferecem água para arrefecermos ao mesmo tempo que nos dão alento, com palavras, gestos e sorrisos. E sempre um "até para o ano" empurra-me" para a frente. Antes do km 10 sou obrigada a caminhar. E partir daí é um calvário. Os abastecimentos são suficientes e nada me falta. Força nas pernas talvez... Considero ficar pelo km 13...Avanço. O cronómetro, cansado, apaga-se. E remete-me à forma de correr de antigamente. Sente o corpo. Esquece o ritmo, liberta-te dele, dos metros, dos tempos, das marcas. Corre apenas. Sente! 

E senti! Senti que ia penar até à meta e assim foi! Entre corre e anda, lá alcanço o km 13, onde me liberto do relógio morto e o entrego ao meu pai e sigo ainda a correr. Ali, havia muita gente a ver, não podia caminhar. Depois, poucos metros à frente vejo-me obrigada a a parar. Caminho. Penso. Volto para trás? Não volto? Fico ali? Sigo? Bolas...mas não serei eu um atleta chegado à meta?! E mesmo caminhando, em exaustiva luta interna, lá vou seguindo e dali a pouco, já não há volta a dar. É continuar! Uma lástima! Bem que ouço o público...pena nas suas palavras, ou gozo talvez... "olha...já vai a andar outra vez...". E sim, não sou propriamente apologista de heroísmos que levam as pessoas de rastos até à meta num espectáculo doloroso, pouco digno e até humilhante. Correr não é isso. Mas...que sabes tu de mim? Que valor terá esta meta? Que batalhas vences dentro de ti? Sabes? E na força da minha certeza de querer alcançar aquela meta, sigo! Um passo de cada vez! 

Para ajudar à festa, uma revolução intestinal levou-me a procurar com um olhos e estudar minuciosamente durante longos metros uma boa moita para me aliviar. Ali não! Vem gente atrás (sim, ainda havia gente atrás!). Aqui também não, demasiado exposta! Talvez ali, oh não, aqui há casas e gente! Por fim, à medida que o assunto se tornava urgente, as exigências iam diminuindo significativamente e um muro baixinho que me deixava visível do tronco para cima, mesmo agachada, serviu perfeitamente! 

Aliviada a tripa, nenhumas melhorias nas pernas e a exaustão era tremenda. Mas segue! Segue!

E não fosse a minha cadela ter comido o 2ª par comprado dos calcanhares-palmilhas de gel que uso desde a Fascite plantar para acomodar o esporão no calcaneo que na altura ganhei e mantenho carinhosamente, e os estivesse a usar agora, talvez não me doesse o pé a cada passada. Talvez, talvez... Mas...segue!

O percurso, perfeitamente marcado, e com a segurança em relação ao trânsito devidamente assegurada pelas forças policiais, continua bonito e encantador. E eu, dolorosa e prazenteiramente, avanço, passo a passa!

Por fim, aproximo-me da povoação.São João das Lampas! Tão feliz por ver a placa! Lá consigo manter um passinho de Corrida e começo a avistar amigos. E o meu pai! Já me afloram todas as emoções à pele. Que significa isto? Que valor tem isto? Vou cortar esta meta! Sem dificuldade nenhuma, sai-me o sorriso, o sorriso, que aprendi ser uma das melhores coisas que temos para oferecer, para partilhar, para sentir e fazer os outros sentir. Tão simples e tanto num sorriso! Oferecem-me uma rosa com a qual corto a meta. Pequenos grandes gestos a fazerem-nos sentir especiais. E somos! Todos! Ali, em São João das Lampas.

Corto a meta, depois dos amigos me esperarem e fotografarem. Chego na 426ª posição, com 2h19m22s, num total de 440 atletas chegados à Meta. Que sentimento há dentro de mim: Gratidão! Tão só...Gratidão pela Vida!

Uma medalha muito bonita, de peso! A igualar a prova! Dura, muito bonita e com muita classe! 

Melancia, água, massagem, espaço para alongar e entregar prémios. Não pude ficar muito tempo que outras Corridas me esperam. O banho, que poderia tomar ali mesmo, nos balneários, foi tomado em casa, onde feliz reencontro os meus e a Vida segue. Corrida, como se quer e deseja!

Voltarei! Até breve São João das Lampas! E Obrigada por tudo! E MUITOS PARABÉNS POR ESTES 40 ANOS DE CORRIDA! 

Mais informações da prova:

No site da Organização, aqui

Na página Facebook da Organização: Meia Maratona de São João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva




















Classificações, no site da Organização, aqui


FOTOS da 41ª Meia Maratona de S.João das Lampas

Pela AMMA, por Manuel António, a ver aqui

Por Armindo Santos, Abum 1, a ver aqui
Album 2, a ver aqui
Album 3, a ver aqui

Por Bernardete Morita, a ver aqui

Por Jaime Maurício, a ver aqui

Por Luís Duarte Clara, a ver aqui

A todos os fotógrafos, a perpetuar no tempo momentos especiais vividos, os meus agradecimentos pela dedicação e empenho! Muito obrigada!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Autocarro para a Maratona do Porto 2017


A par do que vem acontecendo em edições anteriores, a Runporto vai também este ano disponibilizar transporte em Autocarro a partir de Lisboa (saída sábado de manhã e regresso Domingo à noite) para a Maratona do Porto.

Para informações e reservas:

Ana Pereira
anamariasemfrionemcasa@gmail.com
Facebook
Tlm 964 937 456

E quantos autocarros vamos encher este ano? Conto contigo?







domingo, 28 de maio de 2017

Corrida de Belém, 27 de Maio de 2017


Ganhei o dorsal num passatempo oferecido pelo Running Magazine e graças aos "Gostos" que alguns amigos colocaram na foto com que participei. A todos eles, e especialmente à Alexandra Pestana, que me deu a conhecer a oportunidade, muito agradeço. Comecei por votar nela (e nos amigos que também participavam) e depois, porque não tentar a minha sorte? E a brincadeira acabou por me levar a conhecer a Corrida de Belém.

Na véspera foi dia de levantar o dorsal, que não havia entregas no dia da prova e lá rumámos ao Estádio do Restelo. Entrega rápida e fácil. T-shirt técnica, bonita, uma revista Running Magazine, dorsal, chip e alfinetes. Confesso que me surpreendeu e entristeceu um pouco como o Estádio do Restelo, desta equipa com que muito simpatizo, logo a seguir ao Benfica que esse corre-me nas veias, o estado em que se encontram os espaços exteriores. De aspecto abandonado, com ervas e mato a crescer como se não houvesse amanhã. Impressão (?) que (re)confirmei no dia da prova quando quis usar as casas de banho e o cheiro que não era de hoje por certo, era...perfeitamente justificável quando descobri que não havia água, nem nos autoclismos nem nas torneiras...

Tirando isso, todo o ambiente é muito agradável. Excluindo o estado da pista, (pronto hoje acordei para reparar no menos bom) mas já vi aquela pista mais azul, e se isso é um pormenor, então o Sol e a geada estragam, é compreensível..., já o facto de haver erva a romper pelo meio da pista, levantando algumas partes, não me parece que o seja.

Remetendo estes pormenores ao escasso valor que eles têm para a Corrida em si, a Corrida de Belém esteve muito bem e não digo isto só para rimar, mas sim porque é verdade.

É organizada pela Junta de Freguesia de Belém, em colaboração com o Clube de Futebol “Os Belenenses”, o Clube de Atletismo Amigos de Belém, com a Câmara Municipal de Lisboa e tem o apoio técnico da HMS Sports Consulting, Lda.

Oferece uma corrida de 10 km, uma caminhada de 4 km e várias corridas para crianças dos 5 aos 13 anos, procurando de forma activa incentivar a prática desportiva, e teve todo o sucesso. Ver a pequenada a esforçar-se a praticar desporto, conviver e divertir-se é sempre muito salutar. Pena que o número de participantes não fosse bem maior. E se a inscrição dos pequenos também se pagava (EUR 3,00) considero esse valor bem melhor empregue pelo que é proporcionado à criança do que muitos brinquedos ou guloseimas que os pais providenciam sem pensar duas vezes. Pena não serem mais mas quem esteve, não saiu defraudado pelo que vi.


A prova principal tinha um custo de EUR 8,00 na fase inicial e é minha opinião também ser valor devidamente retribuído pelo que a Corrida proporciona.

Parece-me que a Corrida de Belém não terá grandes pretensões. Não há altetas de elite nem prémios monetários, ou sequer prémios por escalões, medalhinhas nem troféus ("iguais" a tantos outros). Apenas premeia os 3 primeiros da geral, esses sim com troféus, e vouchers dos Hotéis Vila Galé para uma noite de alojamento nessa cadeia de hotéis. Todos os outros, além do que receberam no levantamento do dorsal, recebem à chegada à meta, água, uma maçã e um voucher para utilização de um dia no Ginásio Infante de Sagres .

Não vamos esquecer que receberam um percurso para correr completamente cortado ao trânsito, com alguma dureza, bem controlado pela polícia e pela organização, bem sinalizado, com abastecimento de água, num cenário belíssimo (aquela descida com a Torre de Belém ao fundo e o Tejo é magnífica), uma prova cronometrada, com partida e chegada dentro do Estádio (espectacular), com pórticos insufláveis, com classificação muito rapidamente disponibilizada, com diploma personalizado, com dinamizadores a ajudar a fazer o aquecimento antes da partida e os alongamentos no final, muita animação e com tudo isto uma estupenda manhã de desporto e convívio.  

Está pois por isso a Corrida de Belém de Parabéns, pois creio ter atingido os seus objectivos e os seus objectivos são, a meu ver, a essência da Corrida. Por isso, mesmo que aparentemente desprovida da ambição de querer vir a ser uma "grande" prova, é uma prova magnífica que recomendo.

Um pontinho menos bom, é a estreita saída do Estádio, que para quem saiu de lá de trás, como eu, acabou por afunilar um pouco, pelo que pessoalmente, o 1º km foi praticamente de aquecimento, mas isto, é como em outras provas, se queremos ir fazer tempos, há que nos posicionarmos "bem" logo na partida, o que claramente não era o meu caso.

A minha prova:

Quero dar o meu melhor. Tenho treinado, a lesão tem dado tréguas, estamos em paz portanto, e queria ir ali correr o mais que conseguisse aos 10 Km, sem saber muito bem o que isso significaria hoje. Não tinha ideia do percurso nem do desnível, para além dos 10 km de distância. Apesar da organização o ter disponibilizado no site, não me dei ao trabalho de o "estudar". Parti do meio para trás do pelotão. A pista está cheia. Dá-se praticamente uma volta à pista e corre-se lento. Muita gente. Sigo com a Alexandra que queria baixar da hora, o que conseguiu e muito a alegrou. Feito pelo qual lhe dou os parabéns genuinamente pois a prova não era propriamente a mais indicada para bater records. Algum congestionamento para sair do estádio e por fim mais libertas para correr. Por ali deixo-a para trás, pois acredito que seguramente estarei (bem) abaixo da hora (5 ou 10 minutos...uma diferença enorme, portanto... :) ) mas queria ver o que conseguiria e sigo para a frente, "rápida" e bem. Tão bem que me aguentei como gente grande logo nas primeiras subidas. E nas descidas. Ver a Torre de Belém ao fundo com o Tejo, foi sem dúvida uma das melhores sensações da prova! E assim fui, a passar gente, forte e feliz. Até...sensivelmente aos 5 km. Nessa altura há uma recta ao lado da linha do comboio, em direcção ao Padrão dos Descobrimentos, que fica muito longe de nós para o apreciarmos como merece, e nessa altura, há uma quebra. Física e mental que estes dois estão quase sempre de mãos dadas. Há um sol abrasador e um ponto de retorno lá à frente. Há já atletas em sentido contrário. Sou passada por alguns. O ritmo segue agora mais lento e com um esforço sobremaneira acrescentado. Esforço físico e mental. Vontade de parar. Muitas vezes já corri ali. Boas e más recordações. É a cabeça, são as pernas e a caixa. Tudo me pesa. Já não vou muito bem... Mas sigo. Ponto de retorno e uma brisa fresca varre-me por completo e dá-me ânimo. Sigo. Sou passada por atletas que lá atrás passei. Péssima experiência essa. Paciência! Tivesses juízo ao princípio! Armaste-te em boa ao início não foi?! Agora aguenta e não chora! Ou chora se for preciso. Não, não é preciso. É manter, só manter, só quero manter. E mantenho! Lá pelo km 8 e tal, depois dos magníficos Jerónimos, nova e comprida subida e aí meus amigos, eu quis manter mas tive de caminhar um pouco, retomar a Corrida e caminhar de novo, para logo que a subida termina, voltar a correr, como posso e o Estádio é já ali! Entro no Estádio, há uma volta a dar à pista e eu vou novamente no modo "Mantém". Até avisto uma rapariga a pouco mais de 1,5 m de mim à minha frente e deixo-a ir, sem qualquer reacção da minha parte. Tomara eu manter... E lá mantenho até à meta. Corto-a com 9,800 Km percorridos em 54´40" numa média de 5:33/Km, a ver aqui, registado pelo Strava fui o 298º atleta a cortar a meta de um total de 689.

Recebo o saco, abrando, respiro fundo, caminho e tento recuperar. Um jovem, algo ameaçador, de alicate na mão (acredito que fosse a minha percepção algo distorcida devida ao esforço), pergunta-me se quero ajuda para tirar o chip. Sim, quero...mas não me cortes os atacadores! Agradeço e sorrio. Reencontro o meu pai, a Alexandra que entretanto chegou, alongámos na relva onde não devíamos estar. Ela super feliz pelo record, e eu, longe de estar no meu melhor...estou muito contente por esta vivência que a Vida me proporcionou. Os tempos, os desempenhos, isso é um terreno fértil para me motivar e me fazer melhorar.







Aquecimento antes da prova

Antes

Depois










Algumas fotos pelo Melro, para ver aqui

quinta-feira, 25 de maio de 2017

6ª Corrida Bucelas Capital do Arinto

6ª Corrida Bucelas Capital do Arinto - 21 de Maio de 2017


Já nem me lembrava muito bem como tinha sido há 2 anos (ver aqui), mas o que retive foi um percurso durinho, o calor, e sim, uma manhã muito agradável a fazer o que tanto gosto: Correr. 

E este ano, na sua 6ª edição, a Corrida Bucelas Capital do Arinto, inserida no 33º Troféu Corrida das Colectividades do Concelho de Loures, deixa-me sensivelmente as mesmas marcas: um percurso durinho: duas pequenas voltas a Bucelas, uma recta, a subida para Vila de Rei, e descida, nova passagem por Bucelas, para se subir arduamente à Bemposta, e descer e depois rolar para a meta à velocidade que as pernas permitam.

A prova é organizada pela Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Vila de Rei em conjunto com a Junta de Freguesia de Bucelas, e com o apoio da Câmara Municipal de Loures, dos Bombeiros Voluntários de Bucelas e Comércio local.

Retenho e saliento também a participação dos escalões jovens, sempre apoiados e cativados para a Corrida, por trabalho e mérito dos clubes que participam no Troféu.

Houve troféus para os primeiros classificados por escalão e garrafas de Vinho branco Arinto, que dá a Bucelas o título de Bucelas Capital do Arinto desde 2010, aos primeiros classificados da geral, 10 aos homens, 5 às mulheres, o que não deixa de ser pena o facto da maioria dos atletas ver o Arinto por um canudo quando a casta e o cartaz turístico de Bucelas dá o nome à Corrida e datr uma pequena garrafita de Arinto a todos, seria uma ideia promocional bastante mais eficiente e simpática, a meu ver. Oh pá, mas a inscrição é gratuita, o que querias mais ?! Pois, pois claro que a inscrição é gratuita, e o essencial foi garantido: a segurança (este ano o trânsito esteve bem melhor controlado que há 2 anos), o abastecimento de água a meio da prova, a indicação do percurso, o "acompanhamento" do mesmo pela Organização, a manhã de desporto e convívio proporcionada a todos, os troféus e a alegria sempre inerente à Corrida quando falamos de Corrida para todos e foi isso que a 6ª Corrida Bucelas Capital do Arinto nos deu! Por tudo isso está a Organização de Parabéns e venha a 7ª edição com muito sucesso!

A minha Corrida foi isto...

Entusiasmo, alegria, aquecer e partir confiante...Rápido demais constatei depressa. É que aquelas duas voltinhas a Bucelas começam logo a deixar marca (quando a forma e a preparação não é a melhor), depois apanhas a recta ensolarada, ponto de retorno e a subida para Vila de Rei.Tive de caminhar pois claro! Depois desces, passas de novo em Bucelas, e tens de ter força para não pareceres que já vais a morrer. Recta debaixo de Sol para começar a dolorosa subida para a Bemposta. Caminho, pois claro que caminho. Bolas, tenho tanto para treinar (se quero melhorar...e eu quero!). Depois desces e nova recta no asfalto quente até Bucelas, para a meta. Aguenta, aguenta, aguenta, mantém o ritmo, mantém o passo, mesmo que devagarinho, mantém! Mesmo que te apeteça atirar-te para o chão, mantém por favor... Lá mantive, como pude.

E assim, chego à meta da 6a Corrida Bucelas Capital do Arinto, com 10,120 Km percorridos em 56m51s, média (enganadora devido ao desnível) de 5:37/Km...a valer um 3° lugar no escalão, de um total de 7 atletas (no escalão)

Satisfeita, sim claro! Como sempre que corro!

Até para o ano Bucelas!




















FOTOS:

Fotos pelo meu pai, António Melro, para ver aqui

Fotos pelos Run For Friends, para ver aqui